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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Estudar pra quê?

Eu sempre fiz essa pergunta, tanto à mim, quanto aos meus pais. Quando fazia a mim mesmo, a resposta era sempre vazia. Certamente eu não tinha "conhecimento" ou mesmo, "informação" suficientes para responder tal questão.

Quando fazia aos meus pais, eles sempre reproduziam o discurso imputado em nossa sociedade (capitalista) que, de uma forma geral, diz que "...é preciso estudar pra ser alguém na vida." Ou seja, na verdade, o que esse discurso queria dizer é que: estude para ter uma profissão, ganhar seu próprio dinheiro e se sustentar. Então posso concluir que "ser alguém na vida" é se sustentar com o próprio dinheiro? Por que não?

Hoje eu sei de fato, para que servem os estudos. Servem para que você, de forma consciente, perceba que está sendo abduzido, a fim de que faça parte da engrenagem mercantilista que se transformou a educação - um produto.

Num artigo publicado em 2007, pelo professor universitário João Luís Almeida Machado, na folha de São Paulo (ver link), o parágrafo 7º me chama bastante atenção, quando diz:

"Conheço casos de pais que desde as séries iniciais do ensino fundamental escolhem as escolas de seus filhos pensando na aprovação nos concorridos vestibulares das melhores universidades brasileiras para os cursos mais disputados, como medicina, direito, engenharia, administração. Não há nenhuma preocupação com a felicidade e a formação integral desses estudantes. E o que quero dizer com isso? Que carecemos de maior atenção aos aspectos humanizadores, aqueles que irão assentar as nossas relações com as outras pessoas e que, também, nos darão sustentação emocional e intelectual para compreender o mundo em que estamos inseridos."

Eu particularmente concordo plenamente com o professor. Apesar das inúmeras novas profissões surgidas no século XXI (mesmo "pagando" mais / ou proporcionando mais prazer e bem estar), ainda existe um esforço muito grande em direcionar os jovens às profissões mais tradicionais, seja por status, ou seja por vaidade dos pais. Sei lá...

Mas tem um outro problema que me incomoda ainda mais. É a existência daquele ciclo vicioso de que, se você não tem experiência, você não consegue emprego - por que não tem experiência. Que porra é essa?!


E tem mais! Você tá se formando, tá cheio de conhecimentos, vai disputar uma vaga e os caras preferem um estagiário. Por que ele é mais jovem, supostamente está louco pra trabalhar - mesmo em condições escrotas - e ainda é mais vantagem sob o ponto de vista da falta de um vínculo empregatício (o álibi que os empresários tem para não ter problemas com os encargos de um funcionário).

Quer saber... ESTUDAR PRA QUÊ?

Se você der sorte, no meio desse caminho escroto, você consegue adquirir ao menos, algo que ninguém jamais poderá tirar de você: o conhecimento.

Fiquem aí com duas visões artísticas (e antagônicas) sobre o tema:

Artista: Pato Fu.
Música: Estudar pra quê.



Artista: Léo e Giba.
Música: Estudar pra quê.



Se você der sorte, no meio desse caminho escroto, você consegue adquirir ao menos, algo que ninguém jamais poderá tirar de você: o conhecimento.

Ideologia paga suas contas?

"Ideologia, eu quero uma pra viver..." 

É incrível como essa música de Cazuza é muito forte e atual ainda hoje, não é verdade?

Eu já tinha "-2" (menos dois) anos de idade quando ele entrou no Barão Vermelho (sim, por que eu nasci em 1983) e confesso que, devido às circunstâncias, eu só vim conhecer de fato (pelo menos em parte) o trabalho de Cazuza há alguns anos - e gostei muito do que encontrei. Me identifiquei de cara com algumas letras e até mesmo com o som da banda - digo isso por que, por muito tempo, não era muito a "minha praia". Mas isso não vem ao caso...

Porém, eu não comecei esse post com o intuito de falar necessariamente do Cazuza - é verdade...! Apenas trouxe essa música à título de reflexão mesmo. Sim. É que vejo com bastante frequência, vários discursos, de várias personalidades (músicos, artistas, pseudointelectuais, etc.) evocando esta palavra de uma maneira até leviana, eu diria. Posso estar enganado? É óbvio que sim - e o mais provável também, quem sabe?

A questão é a seguinte: de que tipo de "Ideologia" esse povo tá falando? É o mesmo que o Cazuza fala em sua música? Aliás, que tipo de conceito sobre "Ideologia" mesmo o Cazuza está se referindo? Aliás², o que é mesmo ideologia? Segundo o Aurélio:

1 - Ciência que trata da formação das idéias.
2 - Tratado sobre as faculdades intelectuais.
3 - Conjunto de ideias, convicções e princípios filosóficos, sociais, políticos que caracterizam o pensamento de um indivíduo, grupo, movimento, época, sociedade.

Ora, se tem relação com o pensamento de indivíduos, grupos, movimentos, época e sociedade - e estas mudam constantemente ao longo da história - qual o problema de se mudar a percepção sobre uma determinada linha (ou corrente) de pensamento, seja lá qual for a motivação para isso? É disso que eu tô falando!

Aí, quer dizer: se, por algum motivo, eu, que já me declarei publicamente compartilhar da corrente de pensamento "A", estou fadado a ter que carregar eternamente esse fardo, mesmo que ela já não atenda mais aos meios anseios e expectativas? É isso? É o quê... uma espécie de fidelidade? Dívida? Desculpe, mas conheço isso como HIPOCRISIA.

Ideologia não paga as minhas contas!

Por isso, me sinto bastante confortável em descer do meu "egoísmo" e buscar reconhecer que existem outras "possibilidades", nessa vida. Que não há nesse mundo, verdades absolutas! Não tenho vergonha de mudar de opinião quantas vezes for necessário.

E por fim, fico puto quando vejo músicos, artistas e etc., enchendo-se de empáfia e se rotulando, vestindo suas "Hipócri-deologias" fascistas, em detrimento dos outros.

Façam-me um favor: Paguem as minhas contas, ou vão direto pro inferno!