Quando fazia aos meus pais, eles sempre reproduziam o discurso imputado em nossa sociedade (capitalista) que, de uma forma geral, diz que "...é preciso estudar pra ser alguém na vida." Ou seja, na verdade, o que esse discurso queria dizer é que: estude para ter uma profissão, ganhar seu próprio dinheiro e se sustentar. Então posso concluir que "ser alguém na vida" é se sustentar com o próprio dinheiro? Por que não?
Hoje eu sei de fato, para que servem os estudos. Servem para que você, de forma consciente, perceba que está sendo abduzido, a fim de que faça parte da engrenagem mercantilista que se transformou a educação - um produto.
Num artigo publicado em 2007, pelo professor universitário João Luís Almeida Machado, na folha de São Paulo (ver link), o parágrafo 7º me chama bastante atenção, quando diz:
"Conheço casos de pais que desde as séries iniciais do ensino fundamental escolhem as escolas de seus filhos pensando na aprovação nos concorridos vestibulares das melhores universidades brasileiras para os cursos mais disputados, como medicina, direito, engenharia, administração. Não há nenhuma preocupação com a felicidade e a formação integral desses estudantes. E o que quero dizer com isso? Que carecemos de maior atenção aos aspectos humanizadores, aqueles que irão assentar as nossas relações com as outras pessoas e que, também, nos darão sustentação emocional e intelectual para compreender o mundo em que estamos inseridos."
Eu particularmente concordo plenamente com o professor. Apesar das inúmeras novas profissões surgidas no século XXI (mesmo "pagando" mais / ou proporcionando mais prazer e bem estar), ainda existe um esforço muito grande em direcionar os jovens às profissões mais tradicionais, seja por status, ou seja por vaidade dos pais. Sei lá...
Mas tem um outro problema que me incomoda ainda mais. É a existência daquele ciclo vicioso de que, se você não tem experiência, você não consegue emprego - por que não tem experiência. Que porra é essa?!
E tem mais! Você tá se formando, tá cheio de conhecimentos, vai disputar uma vaga e os caras preferem um estagiário. Por que ele é mais jovem, supostamente está louco pra trabalhar - mesmo em condições escrotas - e ainda é mais vantagem sob o ponto de vista da falta de um vínculo empregatício (o álibi que os empresários tem para não ter problemas com os encargos de um funcionário).
Quer saber... ESTUDAR PRA QUÊ?
Se você der sorte, no meio desse caminho escroto, você consegue adquirir ao menos, algo que ninguém jamais poderá tirar de você: o conhecimento.
Fiquem aí com duas visões artísticas (e antagônicas) sobre o tema:
Artista: Pato Fu.
Música: Estudar pra quê.
Artista: Léo e Giba.
Música: Estudar pra quê.
Se você der sorte, no meio desse caminho escroto, você consegue adquirir ao menos, algo que ninguém jamais poderá tirar de você: o conhecimento.
